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Bárbara Carine leva reflexão sobre educação antirracista e ancestralidade em Aracaju

Educadora transforma praça do Bugio em espaço de reflexão
  • Categoria: Sergipe
  • Publicação: 19/09/2026 13:46
Professora, escritora e pesquisadora participou da Blitz Cultural, que celebrou os 21 anos do Grupo Boca de Cena com uma programação gratuita de arte, educação e cultura
Aracaju recebeu, nesta sexta-feira, 18, uma das principais vozes brasileiras no debate sobre educação antirracista, diversidade e valorização dos saberes negros. A professora, escritora e pesquisadora Bárbara Carine participou de uma edição especial da Blitz Cultural, realizada na Praça Osvaldo Mendonça, no bairro Bugio.
Com o tema “Imaginar para transformar: as artes como prática de educação antirracista e ancestral”, a palestra propôs uma reflexão sobre o papel da educação e da arte na construção de novas possibilidades de existência, especialmente para a população negra.
Professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bárbara Carine é doutora e pós-doutora em Educação, além de fundadora da Escola Afro-Brasileira Maria Felipa. Sua trajetória acadêmica e literária é marcada pela defesa de uma educação que reconheça a diversidade racial e valorize referências negras na produção do conhecimento.
Uma produção voltada à valorização da população negra
Bárbara Carine é autora de mais de dez livros e tem construído uma produção literária que dialoga com educação, ciência, identidade, ancestralidade e relações raciais.
Entre suas obras está “Como ser um educador antirracista”, vencedora do Prêmio Jabuti 2024, na categoria Educação. O livro apresenta reflexões sobre práticas educacionais e sobre a necessidade de transformar a escola em um espaço comprometido com a equidade racial.
A autora também assina obras como “Descolonizando Saberes: Mulheres Negras na Ciência”, “História Preta das Coisas: 50 invenções científico-tecnológicas de pessoas negras” e seu lançamento mais recente, “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, que propõe uma leitura afrocentrada sobre a história do Egito Antigo.
Em seus trabalhos, a escritora questiona o apagamento histórico da população negra e busca apresentar outras referências de conhecimento, ciência, cultura e produção intelectual.

Arte, educação e transformação
A participação de Bárbara Carine integrou a programação especial preparada pelo Grupo Boca de Cena, que celebrou 21 anos de atuação cultural.
A programação reuniu diferentes linguagens artísticas. Antes da palestra, o público acompanhou o espetáculo “Os Cavaleiros da Triste Figura”, do Grupo Boca de Cena. Na sequência, a professora realizou sua palestra e, encerrando a noite, as cantoras sergipanas Lari Lima e Lívia Aquino fizeram uma apresentação musical.
Com sede no Bugio, o Boca de Cena desenvolve há 12 anos a Blitz Cultural, iniciativa que leva apresentações, formação artística e atividades culturais para comunidades, escolas e espaços públicos de Sergipe.
A presença de Bárbara Carine em uma programação realizada em uma praça pública da periferia de Aracaju reforçou justamente a proposta de aproximar conhecimento, arte e população.
Mais do que uma palestra, o encontro colocou em evidência a importância de ampliar os espaços de circulação das narrativas negras e de reconhecer a educação e a cultura como instrumentos de transformação social.
Por meio da arte, da educação e da valorização da ancestralidade, a Blitz Cultural transformou a praça em espaço de encontro, conhecimento e reflexão sobre as relações raciais no Brasil.